Às vezes me pego pensando em como estes dias têm sido complexos, em como tanta coisa passa despercebida por falta de tempo, esse tempo que é tão precioso e que precisa ser bem distribuído para conseguirmos executar todas as nossas atividades. Por essa razão, acho essencial programar o dia ou até mesmo toda a semana, assim é mais fácil não se perder nas tarefas, principalmente aquelas que envolvem crianças que ainda não sabem lidar sozinhas com seus afazeres.

Sou muito voltada a estabelecer rotinas, desde o nascimento de Laura aprendi a criá-las e tem funcionado muito bem. Vou falar um pouco sobre algumas que vejo como fundamentais, pelo menos aqui, surtiram bons resultados e sigo até hoje.

Claro que o meu método pode não ser eficiente para outra pessoa. É preciso encontrar a melhor estratégia e forma de adaptação para cada criança. Entretanto, espero poder ajudar contando um pouco de minha experiência.

A rotina do sono é muito primordial no desenvolvimento da criança, por isso é relevante conceber bons hábitos ainda quando bebê. Criar esse costume aqui em casa foi um grande desafio, mas depois de muita orientação da pediatra (eu tinha muitas dúvidas, sabe como é mãe de primeira viagem, não é?) e insistência em colocá-la na cama para adormecer sozinha, batalha vencida. Com uma rotina bem estabelecida e bem firmada o sono não foi mais um problema.

Confesso que foi muito cansativo e por diversas vezes pensei em desistir, principalmente quando ela acordava no meio da madrugada, ali eu pensava em levá-la para meu quarto, sentia-me muito cansada, mas ficava ao lado da cama até que dormisse novamente e fazia isso quantas vezes fossem necessárias. Fui muito fiel no estabelecimento dessa rotina e quando comecei a ver resultados positivos, a satisfação superou o cansaço.

Iniciei logo nos primeiros meses e fui ajustando com o seu crescimento. Hoje, ela adormece sozinha, sem trabalho algum. Por isso, vale muito a pena insistir.

A alimentação foi outra questão também prioritária, com horários e cardápio definidos semanalmente. Eu anotava tudo em uma ficha e colocava na porta da geladeira, principalmente os alimentos que entrariam nas refeições durante toda a semana, assim, era possível variar o cardápio e oferecer a Laura uma maior quantidade de nutrientes. Com alguns alimentos, foi necessária muita insistência até ela aprender a comer, mas assim como na rotina do sono, aqui também foi preciso muita fidelidade por minha parte em sempre ofertar aquele alimento que não era aceito com tanta facilidade. O importante é nunca desistir, exige muito diálogo e paciência, a criança precisa se familiarizar com os alimentos e isso pede um tempo.

Vejo as rotinas no cotidiano das crianças como algo muito positivo, é claro que às vezes a gente foge um pouquinho delas, por exemplo, uma vez por semana deixo jantar ou almoçar no sofá, dormir 30 ou 40 minutos mais tarde. Sempre faço isso aos finais de semana, por não ter escola nem outras atividades. Imagine a felicidade da criança.

Outra coisa que devemos nos preocupar é com o tempo que as crianças passam na frente da tv. Agora com a pandemia e mais tempo em casa, costumo deixar 3 dias por semana durante uma hora. Sendo que em algumas semanas substituo por uma atividade que ela goste muito, com muita ludicidade.

Com esses hábitos fixados, tudo fica mais fácil e a própria criança passa a conhecer sua rotina. Além disso, você consegue programar outras obrigações com mais tranquilidade.

Essas tarefas são gestos de amor, é difícil, cansa muito, a vontade de deixar pra lá é imensa, mas é preciso pensar em quais serão as consequências e o que realmente queremos para nossos filhos. Eles dependerão de nós por muito tempo, então coloque amor naquilo que é feito por eles e não desistam de educá-los com sabedoria, que é dom de toda mãe. Quando nasce uma mãe, essa sabedoria nasce junto para que possamos guiar nossos pequenos no melhor caminho e isso já começa lá atrás, quando ainda são bebês.